Doris&Daisy


02/05/2008


A insônia, a neurose e o banheiro

Enquanto eu ainda degustava o fato de ser contida e séria demais, Doris acusou-me de querer controlar tudo. Tá lá, para todo mundo ler. Não tivemos tempo para a DR, mas o assunto não sai da minha cabeça. Talvez tenha que admitir que é verdade, prestes a um ataque de nervos gerado por um vazamento no banheiro e a iminente possibilidade de quebradeira e muita, muita sujeira.

 

 

O maldito foi descoberto há dois dias. Ok, 1 e ½. O especialista só poderá vir amanhã, mas o ambiente já foi preparado para a sua chegada. Você já parou para pensar quanta coisa vc acumula no banheiro? Quantos produtos de higiene pessoal e beleza você compra, ganha e acumula? E remédios?

 

Sou tarada por shampoos e neosaldinas, mas posso garantir que o meu estoque é bem mais amplo. Muito mais do que a minha imaginação ou organização poderia contar.

 

Quanto mais eu olho para eles, amontoados entre meu quarto e a “área de serviço”, mas eu fico nervosa com a situação. Por que não pára de pingar? E se tiver que quebrar tudo e fazer muita sujeira? Ou não tiver azulejo para repor? E se a madeira do gabinete apodrecer com tanto água? E se o meu banheiro, que não é nenhum cinco estrelas mas tenho orgulho dele, nunca mais for o mesmo? 22h57 é tarde demais para ligar para o especialista? Para lembrá-lo de que ele não pode esquecer de vir aqui amanhã? Ou para pedir que ele venha um pouquinho mais cedo?

 

Há dois dias isso me atormenta. Ok, 1 e1/2.

E lá vem mais uma noite mal dormida.

 

 

Escrito por Daisy às 23h07
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30/04/2008


Afinidade

Essa palavra não sai da minha cabeça. Tenho certeza de que já foi até tema de outros posts (fiquei com pregui de procurar) e até hoje procuro uma explicação, mesmo estando claro de que ela não se faz necessária.

 

Sexta passada encontrei uma amiga de infância. Durante dois anos, fomos inseparáveis – vizinhas, colegas de escola, adversárias no karatê. Quando tínhamos apenas 10 anos, ela mudou-se para outra cidade e, durante outros 10 anos, trocamos cartas sempre recheadas de confidências. Como é natural, a distância fez-se presente e perdemos o contato.

 

Agora, 18 anos depois, nos reencontramos. O encontro foi delicioso – fluiu naturalmente, sem silêncios constrangedores, com muita risada.  Mais do que isso, permitiu que eu fugisse completamente dos assuntos do dia-a-dia, da pressão e das decepções com trabalho, dos dissabores da vida.

 

Quando cheguei em casa, liguei para Doris, que confirmou que não há nada como a afinidade. Ontem, rapidamente, falei com Frederico, uma boa tradução da afinidade inexplicável. Estamos distantes, mas me senti impelida a fazer aquela ligação. Só para escutar a voz, saber se estava tudo bem.

 

A falta de controle sobre esse sentimento [afinidade] pode ser o grande motivo para eu me sentir tão seduzida e aflita por ele. Estaria eu finalmente descobrindo ou admitindo uma nova característica da minha personalidade? O fato de querer controlar tudo? Será que eu realmente quero controlar tudo?

 

Ainda não consigo responder essas questões, mas posso dizer que gostaria de estar mais próxima dessas pessoas, além de descobrir novas. Por que? Pelo simples fato de que gosto do que elas despertam em mim.

Escrito por Daisy às 10h25
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