Enquanto eu ainda degustava o fato de ser contida e séria demais, Doris acusou-me de querer controlar tudo. Tá lá, para todo mundo ler. Não tivemos tempo para a DR, mas o assunto não sai da minha cabeça. Talvez tenha que admitir que é verdade, prestes a um ataque de nervos gerado por um vazamento no banheiro e a iminente possibilidade de quebradeira e muita, muita sujeira.
O maldito foi descoberto há dois dias. Ok, 1 e ½. O especialista só poderá vir amanhã, mas o ambiente já foi preparado para a sua chegada. Você já parou para pensar quanta coisa vc acumula no banheiro? Quantos produtos de higiene pessoal e beleza você compra, ganha e acumula? E remédios?
Sou tarada por shampoos e neosaldinas, mas posso garantir que o meu estoque é bem mais amplo. Muito mais do que a minha imaginação ou organização poderia contar.
Quanto mais eu olho para eles, amontoados entre meu quarto e a “área de serviço”, mas eu fico nervosa com a situação. Por que não pára de pingar? E se tiver que quebrar tudo e fazer muita sujeira? Ou não tiver azulejo para repor? E se a madeira do gabinete apodrecer com tanto água? E se o meu banheiro, que não é nenhum cinco estrelas mas tenho orgulho dele, nunca mais for o mesmo? 22h57 é tarde demais para ligar para o especialista? Para lembrá-lo de que ele não pode esquecer de vir aqui amanhã? Ou para pedir que ele venha um pouquinho mais cedo?
Há dois dias isso me atormenta. Ok, 1 e1/2.
E lá vem mais uma noite mal dormida.


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