Eu sei que muitas mulheres odeiam essa data. Se não passa despercebida, também não me irrito com ela. No último dia 8, o primeiro cumprimento que recebi partiu do meu porteiro. Eu tinha acabado de acordar, ainda tinha os olhos inchados e mal tinha noção em que planeta estava quando Edson soltou: ei, Daisy, parabéns pelo seu dia.
A caminho da rodoviária mais duas surpresas. A primeira veio de um rapaz magricelo, que veio me mirando o quarteirão inteiro até dizer animado: oi. O segundo tinha um olhar tão indecente quanto a sua boca: mas é divina, sussurrou ao amigo. Juro que até chequei se os meus peitos estavam no lugar.
O terceiro é a minha parte favorita da história. Fui almoçar com a família em um delicioso e aconchegante restaurante italiano. Fomos recepcionados pelo neto do dono, uma honesta tradução do italiano encorpado: alto, moreno, cabelos lisos, queixo quadrado, uma bela napa, braços torneados, bunda empinada e um peitoral... uma figura que eu tive o prazer de contemplar enquanto degustava um talharini ao pesto.
Sempre achei exagerada aquela cena da Bridget quando ela já imagina o casamento, sem ao menos conhecer Daniel Clive direito. Pois bem, ali, ao observar o belo italiano de 27 anos [solteiro] escolher uma rosa branca para me presentear pelo Dia da Mulher, eu vislumbrei, por poucos segundos, a vida que teria com ele.
Nós abriríamos nosso pequeno e charmoso restaurante italiano, ponto de encontro dos amigos e dos amantes da boa massa e do bom vinho. Nosso objetivo na vida seria ganhar o suficiente para ter vida tranqüila; qualidade de vida seria o nosso lema. Eu teria mais tempo para nadar, para ir ao parque [sempre em sua companhia], para fazer uns frilinhas [porque eu ainda gosto do que faço], fins de semana românticos, casa cheia, Florença...


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