Doris&Daisy


09/03/2008


O Dia Internacional da Mulher

Eu sei que muitas mulheres odeiam essa data. Se não passa despercebida, também não me irrito com ela. No último dia 8, o primeiro cumprimento que recebi partiu do meu porteiro. Eu tinha acabado de acordar, ainda tinha os olhos inchados e mal tinha noção em que planeta estava quando Edson soltou: ei, Daisy, parabéns pelo seu dia.

 

A caminho da rodoviária mais duas surpresas. A primeira veio de um rapaz magricelo, que veio me mirando o quarteirão inteiro até dizer animado: oi. O segundo tinha um olhar tão indecente quanto a sua boca: mas é divina, sussurrou ao amigo. Juro que até chequei se os meus peitos estavam no lugar.

 

O terceiro é a minha parte favorita da história. Fui almoçar com a família em um delicioso e aconchegante restaurante italiano. Fomos recepcionados pelo neto do dono, uma honesta tradução do italiano encorpado: alto, moreno, cabelos lisos, queixo quadrado, uma bela napa, braços torneados, bunda empinada e um peitoral... uma figura que eu tive o prazer de contemplar enquanto degustava um talharini ao pesto.

 

Sempre achei exagerada aquela cena da Bridget quando ela já imagina o casamento, sem ao menos conhecer Daniel Clive direito. Pois bem, ali, ao observar o belo italiano de 27 anos [solteiro] escolher uma rosa branca para me presentear pelo Dia da Mulher, eu vislumbrei, por poucos segundos, a vida que teria com ele.

 

Nós abriríamos nosso pequeno e charmoso restaurante italiano, ponto de encontro dos amigos e dos amantes da boa massa e do bom vinho. Nosso objetivo na vida seria ganhar o suficiente para ter vida tranqüila; qualidade de vida seria o nosso lema. Eu teria mais tempo para nadar, para ir ao parque [sempre em sua companhia], para fazer uns frilinhas [porque eu ainda gosto do que faço], fins de semana românticos, casa cheia, Florença...

Escrito por Daisy às 16h51
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Resposta

Caras leitoras,

 

Ao contrário dos comentários no post anterior, não acho que eu escolhi a profissão errada. Sempre tive convicção de que escolhi a carreira certa e ainda gosto do que faço.

 

Acontece que os momentos de prazer estão mais escassos. As atribuições e deveres não são diretamente proporcionais ao meu salário. Minha qualidade de vida é profundamente impactada por isso.

 

É como se os bons resultados demonstrados nos últimos tempos não fossem suficientes. Preciso me comprometer mais e definitivamente não quero que o trabalho tome conta de toda a minha vida (ou do pouco que resta dela).

 

Cheguei longe, venci barreiras que nem mesmo eu acreditava, conquistei coisas, viajei e conheci pessoas. De repente encontro-me em uma situação que só penso que preciso agüentar para pagar minhas próximas férias, após dois anos muito puxados e sem descanso. Sinto medo quando penso em diminuir o ritmo e que isso também pode significar cortar alguns gastos.

 

No fundo, posso ter percebido que o trabalho não vai me fazer sentir 100% completa. Quero ter mais tempo livre, quero comprar uma revista por querer - not because I have to. Talvez tudo que precise seja “a job that pays the bills”. E se eu me arrepender depois? Seria justo com o meu empregador e todas as pessoas que apostaram em mim? 

Escrito por Daisy às 16h50
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